sábado, 13 de outubro de 2012

Essência






 
Essência


 
Onde permanece
a essência quando
a memória de um gesto
esvazia qualquer presente?
 
Qual é a forma
que toma um sentimento
na hora de viajar
de dentro
afora?



.....
m.m. - 2012 - casa.do.vento




quinta-feira, 9 de agosto de 2012

... Longe...








... Longe...



Por onde ando?
Aqui e ali...
Longe, talvez,
para além das medidas
dadas como certas:
não me inventario,
nas parcelas que deixei
que te acompanhassem...

E visito-me:
sem hora nem convite
invoco-me ou
devoto-me,
todos os pequenos eus
que te votei e
que vogam por aí,
vagos satélites,
suspensas cintilações
sem coordenadas...

.....
m.m. - 2012 - casa.do.vento




sábado, 5 de maio de 2012

VIAGEM



Viagem



Não quero palavras
agudas
Não quero nem dor
nem dó

Quero curvas e
contornos
quero viagens
abrigadas
deitar-me
em côncavos regaços
de terra
de mar
de amar

E quero percorrer
caminhos sem sol duro
ou ira


.....
m.m. - 2009 - casa.do.vento

domingo, 18 de dezembro de 2011

ILHA QUE SOU


ILHA QUE SOU




quero tempo para habitar a ilha que sou,

quero morrer aí no colo da serenidade,

sem o sol ou lua a dividirem a luz

sem deixarem calar a música dos milagres

... em vez de viver como uma sombra

que não escape ao fantasma e ameaça

de saudades





...
casa.do.vento - 2011

sábado, 4 de outubro de 2008

...Meia Estação...


...MEIA ESTAÇÃO...




É quase o tempo da estação perdida
É quase certo o reencontro nos aromas limpos
Na luz com segredo e mistério
Mil cantos de aves em despedida.


Partem-se os sóis nos estilhaços de terra
Límpidos, líquidos da visita de mar em espuma,
Verdes e azuis em dolentes danças de algas
Cantos frescos em dourada ressonância.


E as pegadas de gaivota que prendem o céu à terra
Não agrilhoam mágoas nem vertigens de liberdade
Nem cantam alvores de longos dias de enganos.


Então os tardios recados que o crepúsculo lento abriga
Falam de ouro e sangue e íntimo calor que o centro oferece
E que não teme ameaças de invernos nem de rigores



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Casa Das Fontes _ 20/08/08






domingo, 31 de agosto de 2008

SETEMBRO...










SETEMBRO





Finalmente, o mar
Retoma a voz
E a terra oferece já
Alguma unidade
Ao pisar.



O ar sacode os
Fragmentos dos
Tantos
E o espaço
Cintila com mais
Espaço _ e luz.



O espírito desce
Sobre o coração
E a música cobre
O ritmo dos
Passos.




Finalmente,
As asas das gaivotas
Reaprendem a dança
Do resto do
Ano...




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Casa das Fontes – 04/09/06










terça-feira, 19 de agosto de 2008

...Atrever-me...

.
.

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ATREVER-ME…

.
.Fechar os olhos e estender os dedos
Atrever-me a desejar tocar a estrela
Ao fundo das pestanas
Filigrana de sonhos entrançados
Em raios de Lua

Fechar os olhos e estender os desejos
Até ao entardecer sem sombra
De lágrimas ou recados de outroras

Atrever-me a dançar no voo
De pétalas, de plumas de pássaros azuis
De alegrias por arrefecer
Diáfanas as madrugadas em braços
De sono

Fechar os olhos e estender o caminho
Aos passos, firmes os telhados
Tinindo de chuva e aconchego,
De lençóis e de rosas sem auroras
Decadências doces e lentas

Fechar os dedos sobre as conchas e ouvir
Para além dos olhos estendidos
Pelos horizontes violetas,
O canto da Sereia cavalgando a onda
Que se aproxima de olhos vendados



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Casa Das Fontes _ 17/08/08